Fernando Haddad ressalta a importância da resposta institucional diante de crises e discute a necessidade de mudanças para combater o crime organizado.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou sua confiança de que o Supremo Tribunal Federal (STF) encontrará soluções adequadas para mitigar os efeitos negativos do ‘Caso Master’ na percepção pública da corte. Em uma entrevista concedida ao portal Metrópoles nesta quinta-feira, Haddad enfatizou a relevância de um posicionamento forte e responsável das instituições diante de crises.


“Acredito que o presidente Fachin está determinado a oferecer uma resposta apropriada, e isso deve ocorrer em conjunto com seus colegas. Essa situação não diz respeito apenas ao Supremo, mas a todas as instituições. Diante de um problema institucional, é fundamental ter mecanismos internos para resolução. Não se pode temer o saneamento, pois é assim que se recupera a credibilidade institucional”, declarou Haddad.
O ministro revelou que um recente encontro entre ele, o presidente Lula e o ministro Dias Toffoli, relator do ‘Caso Master’ no STF, teve como um dos principais tópicos a necessidade de uma resposta eficiente à sociedade. Haddad ressaltou a visão do presidente Lula, que enfatizou a oportunidade de combater o crime e a corrupção a partir das esferas superiores do governo.
“O presidente mencionou: temos uma chance de agir no combate à criminalidade, especialmente na corrupção, em níveis altos. Essa é uma oportunidade de dar uma resposta à sociedade. Por isso, insisto que, ao enfrentar um problema de forma adequada, fortalecemos nossas instituições”, apontou o ministro.
Além de discutir o ‘Caso Master’, Haddad abordou a necessidade de reformas constitucionais que favoreçam a integração nacional no combate ao crime organizado. Ele destacou que a segurança pública deve contar com um uso legítimo da força, acompanhado de inteligência para ser efetiva.
“O Estado possui o monopólio do uso legítimo da violência, mas isso deve ser calibrado para garantir a segurança da população. A inteligência deve ser uma prioridade, pois não existe inteligência local. Os governadores, especialmente os de direita, não estão percebendo que o crime não está restrito a uma localidade, ele ultrapassa fronteiras estaduais e nacionais”, afirmou.
Em relação ao Banco Central, Haddad comentou sobre um comunicado que sinaliza a possibilidade de cortes nas taxas de juros a partir de março. Ele acredita que essa medida será benéfica para a redução da dívida pública, que apresentou um aumento de 18% no ano anterior.
“O anúncio recente sobre a redução dos juros ajudará a estabilizar a dívida em patamares mais razoáveis. Com uma taxa de juros real de 10%, não conseguimos um superávit primário que mantenha a dívida sob controle. Nossa dívida é ‘Selicada’; um aumento na Selic resulta em um aumento da dívida”, explicou.
Haddad também confirmou que deixará o cargo em fevereiro, e que o próximo titular da Fazenda será escolhido pelo presidente Lula, com Dario Durigan sendo o principal nome cogitado para assumir a posição.









