Conflitos entre oposição e governo dificultam andamento das votações na comissão mista
Uma reunião que prometia ser pacífica na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista do INSS transformou-se em um embate acalorado entre os parlamentares. O objetivo inicial era votar dois requerimentos: um para convocação e outro para quebra de sigilo, enquanto se aguardava uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a prorrogação dos trabalhos da comissão.


A tensão começou com a oposição levantando questões sobre outros requerimentos que deveriam ser discutidos, incluindo doações feitas à Igreja da Lagoinha, associada ao Pastor Valadão e a figuras políticas como Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel. O clima ficou ainda mais tenso quando o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, e o deputado Rogério Corrêa, do PT, entraram em um acalorado debate.
Em seguida, uma questão de ordem apresentada pelo PT questionou a própria validade da reunião. A base governista argumentou que a convocação não poderia acontecer enquanto o prazo de 48 horas, estipulado pelo ministro André Mendonça do STF, estivesse em vigor para que a presidência do Senado realizasse a leitura do requerimento que pedia a extensão dos trabalhos. Esse prazo expiraria às 18h20 do dia em questão, o que, segundo o deputado Paulo Pimenta, tornaria a reunião inválida.
No entanto, a oposição discordou dessa interpretação, afirmando que o prazo havia se encerrado às 10h20. Essa divergência se deu em função de diferentes interpretações sobre o momento em que a notificação foi recebida no Senado.
Enquanto isso, a decisão do STF sobre a prorrogação dos trabalhos da CPI permanece pendente. Caso seja aprovada, a comissão ainda terá que debater por quanto tempo a prorrogação se dará: 15, 30 ou até 60 dias. Se não houver prorrogação, a alternativa será a leitura do relatório nesta sexta-feira, que incluirá o relatório oficial de Alfredo Gaspar, que aponta mais de 220 indiciamentos, e um voto separado do PT, com pedidos adicionais de indiciamento e investigação. A votação dos relatórios poderá ocorrer no sábado, que é o último dia de funcionamento da CPI, e os parlamentares já estão em alerta para essa possibilidade.









