Lula e Ramaphosa destacam a importância de uma estratégia de defesa conjunta e a ampliação das relações comerciais entre os dois países.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou, em uma declaração no Palácio do Planalto, que tanto o Brasil quanto a África do Sul devem unir esforços para fortalecer suas defesas militares. Esta afirmação ocorreu durante a visita do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, com o objetivo de prevenir potenciais ameaças externas e garantir a segurança de ambos os países:


“Não sei se o presidente Ramaphosa tem consciência de que, ao não nos prepararmos adequadamente para a defesa, corremos o risco de sermos invadidos. Portanto, é essencial que o Brasil, assim como a África do Sul, unifique seus potenciais e explore o que podemos criar e produzir juntos, sem depender dos fabricantes de armas. Podemos desenvolver tecnologias próprias.”
Lula manifestou essas opiniões em Brasília, ressaltando que a América do Sul é reconhecida por sua paz, onde tecnologias como drones são utilizadas para fins agrícolas, não bélicos.
Conflitos no Oriente Médio
Em um contexto mais amplo, o presidente brasileiro também abordou a escalada de tensões no Oriente Médio, condenando a guerra em curso contra o Irã e seus efeitos nocivos sobre a segurança global e a economia:
“Conflitos como esses geram repercussões devastadoras nas cadeias de suprimentos de energia e alimentos. As populações mais vulneráveis, especialmente mulheres e crianças, são as que mais sofrem com tais crises. A diplomacia e o diálogo são as únicas alternativas viáveis para uma solução duradoura. Vale ressaltar que, devido à guerra no Irã, os preços dos combustíveis estão em alta em diversas partes do mundo.”
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, também expressou sua desaprovação em relação ao conflito, pedindo um cessar-fogo imediato:
“Reiteramos nosso apelo por uma resolução pacífica das disputas, que estão em desacordo com a Carta das Nações Unidas. Condenamos a perda de vidas civis e a destruição das infraestruturas vitais nesta região. Exigimos que todas as partes envolvidas cessem as hostilidades imediatamente.”
Relações Comerciais
Os dois líderes abordaram a necessidade de expandir a cooperação econômica entre Brasil e África do Sul. Ramaphosa destacou a importância de aumentar o comércio bilateral, que atualmente gira em torno de US$ 2 bilhões anuais.
“Como nações, Brasil e África do Sul devem elevar sua colaboração. O volume de comércio entre nossos países precisa ser muito maior. Somos os dois países mais industrializados de nossos continentes, e temos a certeza de que esta visita contribuirá para fortalecer as relações entre nós.”
Minérios e Terras Raras
Outro ponto crucial discutido foi a potencial colaboração em áreas de minerais críticos e terras raras. Lula mencionou a necessidade de um mapeamento mais aprofundado dos recursos disponíveis na África do Sul:
“Devemos ter um levantamento claro sobre os minerais críticos que a África do Sul possui. O Brasil apenas conhece 30% do seu potencial mineral. Aprendemos com o passado, onde vendemos minério de ferro e compramos produtos acabados a preços exorbitantes. Agora, a parceria deve ser construída para que possamos processar esses recursos aqui no Brasil.”
Conclusão da Visita
Durante a visita de Ramaphosa, foram firmados acordos importantes nas áreas de turismo e comércio, incluindo um plano de ação entre a Apex Brasil e o Departamento de Comércio e Indústria da África do Sul. Ambos os presidentes também participaram de um Fórum Empresarial Brasil-África do Sul, reforçando a intenção de ampliar a colaboração em diversas áreas.









