Com 75% dos casos nacionais de Gripe K concentrados no estado e morte em investigação na Bolívia, autoridades locais são cobradas por ações mais enérgicas além das notas oficiais.
O surgimento da variante K do vírus Influenza A (H3N2), apelidada de “Gripe K“, colocou Mato Grosso do Sul em uma posição desconfortável no cenário da saúde nacional. Dos quatro casos confirmados em todo o Brasil, três estão concentrados em solo sul-mato-grossense. A confirmação laboratorial atesta a presença da “super gripe” em pacientes de Campo Grande, Nioaque e Ponta Porã.
O que mais preocupa especialistas e a população não é apenas a presença do vírus, mas o perfil de quem ele está atingindo. Entre os casos confirmados estão um bebê de apenas cinco meses e dois idosos, de 73 e 77 anos. Esse cenário expõe a vulnerabilidade extrema dos grupos de risco e levanta um questionamento inevitável: onde estão as campanhas de bloqueio e a intensificação da vigilância nos pontos de entrada do estado?
O Risco que Vem da Fronteira
A inércia das autoridades estaduais parece ignorar um fato geográfico crítico. Enquanto a Secretaria de Estado de Saúde (SES) emite notas confirmando os casos, a Bolívia, país vizinho com vasta fronteira seca com MS, já investiga uma morte possivelmente ligada à mesma variante.
A conexão entre Ponta Porã cidade com caso confirmado e a movimentação transfronteiriça é direta. A falta de uma barreira sanitária eficiente ou de um protocolo de triagem rigoroso nas cidades de fronteira é uma falha que as autoridades estaduais precisam assumir. Limitar-se a confirmar casos após os diagnósticos laboratoriais é uma postura reativa, quando o momento exige proatividade para evitar que o sistema de saúde da capital e do interior entre em colapso.
A representatividade política que Mato Grosso do Sul possui em Brasília e a própria gestão estadual deveriam, neste momento, estar exigindo recursos extraordinários e suporte federal para o controle das fronteiras. O silêncio ou a lentidão administrativa diante de uma variante classificada como “super gripe” é uma escolha perigosa que coloca em risco a vida de bebês e idosos em todo o estado.









