Explorando a trajetória de Eunice Michiles e o impacto do machismo na política nacional
No dia 1º de abril, o debate sobre a verdadeira trajetória das mulheres na política brasileira ganha destaque, trazendo à tona desafios enfrentados em um ambiente predominantemente masculino. A história de Eunice Michiles, a primeira senadora do Brasil, que tomou posse em 1979, exemplifica essa luta. Desde sua entrada no Senado, ela teve que superar não apenas a falta de infraestrutura, como a ausência de banheiros femininos, mas também enfrentar a hostilidade e o machismo de seus colegas, que a receberam com “flor e poesia” ao invés de igualdade profissional.
Infelizmente, a mídia da época não ajudou. Durante os primeiros anos de seu mandato, os jornais focavam mais em sua aparência e vestuário do que em sua atuação política, tratando suas contribuições como questões de variedades, enquanto seus colegas homens recebiam a devida atenção como legisladores. Essa invisibilidade não é surpreendente, considerando que a maioria dos projetos de lei apresentados por Eunice tinha como objetivo garantir direitos às mulheres.
Um dos seus primeiros projetos visava alterar o Código Civil de 1916, que permitia que homens anulasem casamentos caso descobrissem que suas esposas não eram virgens, com um prazo de devolução de dez dias após a cerimônia.


Essa situação, à primeira vista absurda, reflete as dificuldades enfrentadas pelas mulheres em sua época. Enquanto se incentivava que as mulheres fossem atraentes e sedutoras, aquelas que se entregavam a impulsos sexuais eram severamente julgadas e desonradas, com a virgindade feminina sendo sinônimo de pureza e um valor extremamente valorizado até o casamento. Em resposta a essa distorção, Eunice apresentou em 1980 um projeto que buscava acabar com a anulação de casamentos com base na virgindade da mulher. Embora tenha sido aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça, a proposta acabou arquivada por cinco anos.
Essas e outras verdades estão retratadas de forma impactante no filme de realidade virtual dirigido por Felipe Gontijo, que estreou recentemente no Senado durante a entrega do Diploma Mulher Cidadã Bertha Lutz. Curiosamente, a atriz Carolina Monte Rose, que interpreta Eunice, procurou saber a opinião do público sobre a experiência, evidenciando a importância de revisitar essa história frequentemente negligenciada.









